Verdade e negociação <br>contra lock-out da Somincor

LUTA De nada vale à administração da Somincor prosseguir no caminho da mentira e da deturpação dos factos, asseverou o Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Mineira, que vai promover plenários.

A humanização dos horários destaca-se nas reivindicações

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Depois das greves de 22, 27 e 29 de Dezembro, o STIM e os trabalhadores da Sociedade Mineira de Neves-Corvo (do Grupo Lundin Mining) deverão agora analisar em plenários os próximos passos da luta, que provocou a paragem da extracção e das lavarias.

O sindicato da Fiequimetal/CGTP-IN fez um balanço positivo da greve.

Num comunicado, dia 28, voltou a classificar a luta como grandiosa.

No dia seguinte, um dirigente relatou à agência Lusa que, tal como aconteceu nas anteriores greves, em Outubro e Novembro, a adesão «bastante significativa» dos trabalhadores levou a que não fossem extraídas pedras de minério do fundo, nem produzido concentrado de cobre, zinco e chumbo nas lavarias, esperando que o mesmo cenário se repetisse no último turno (a concluir às 6 horas de sábado).

Jacinto Anacleto acusou a administração da Somincor de exercer pressão junto dos trabalhadores, para tentar impedi-los de aderir à luta, e de recorrer à repressão contra aqueles que fizeram greve. Referiu, a título de exemplo, que no dia 28 a Somincor não atribuiu funções aos trabalhadores das lavarias que se apresentaram ao serviço depois de terem feito greve.

Num comunicado que emitiu nessa quinta-feira, o STIM acusou a administração de optar pela ilegalidade e avançar com medidas que configuram lock-out, proibido na Constituição e na lei. O sindicato accionou a intervenção da Autoridade para as Condições do Trabalho, que enviou inspectores ao terreno para apurar os factos.

O dirigente sindical criticou também o comportamento da GNR no local, notando que «parece estar ao serviço da Somincor», condicionando e, nalguns casos, impedindo acções do piquete de greve junto dos trabalhadores.

No comunicado, o STIM destacou que «a verdade é o primeiro passo para a solução», reafirmou «total disponibilidade para a solução negociada» do conflito.

Enaltecendo a coragem e a determinação demonstradas pelos trabalhadores, o sindicato reafirmou que «não há, nem nunca houve nenhum acordo ou pré-acordo, com o STIM, para aplicação de nenhum horário» e que «apenas 17 trabalhadores estão disponíveis para aceitar o horário que a empresa pretende impor».

Por outro lado, «a resposta da administração à proposta dos trabalhadores das lavarias e outras áreas, para antecipação da idade de reforma, está muito aquém do reivindicado», tal como «às demais propostas dos trabalhadores, a resposta é, até ao momento, claramente insuficiente».

 



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